No clássico jogo Pac-Man, os fantasmas parecem fáceis de desviar no início. Você avança pelo labirinto, acumula pontos e está quase passando de nível quando, de repente, eles o cercam e interrompem o progresso. No ambiente corporativo atual, as contas órfãs representam um risco silencioso muito semelhante: elas parecem inofensivas enquanto pairam em cantos esquecidos da rede, mas podem se tornar a porta de entrada para incidentes críticos.
O que são Contas Órfãs na Governança de Identidade?
Contas órfãs são contas de usuários ou de serviços que permanecem ativas mesmo após a pessoa ou o processo vinculado a elas ter deixado a organização ou não precisar mais de acesso. Em resumo: elas existem sem um proprietário ou propósito válido.
Esses “fantasmas” tornaram-se subprodutos inevitáveis da TI moderna devido a:
- Desligamento de colaboradores: Processos de offboarding incompletos.
- Fusões e Aquisições (M&A): Integração de sistemas que deixam resquícios de credenciais antigas.
- Proliferação de Automações: Ferramentas e integrações que criam credenciais de serviço que acabam esquecidas.
- SaaS e Nuvem: A facilidade de assinar novas aplicações cria silos onde as identidades podem escapar do controle central.
Os Riscos Associados ao “Abandono” de Contas
A existência de contas inativas é um terreno fértil para atacantes. Dados recentes indicam que cerca de 84% das organizações sofreram algum tipo de violação relacionada a identidades no último ano, e as contas órfãs figuram entre as principais causas.
Um exemplo comum é o acesso de terceiros ou ex-colaboradores que permanece ativo via VPN. Se uma senha é vazada, o invasor pode fazer login e agir como um usuário “normal”, movendo-se lateralmente entre servidores locais e ambientes de nuvem sem levantar suspeitas.
Além da segurança, há o impacto na conformidade. Auditores rotineiramente identificam contas dormentes durante revisões de acesso. Estima-se que 42% das contas privilegiadas passem dias ou semanas sem serem detectadas, tempo mais do que suficiente para a exfiltração de dados sensíveis.
O Gargalo do Gerenciamento Manual
Embora o perigo seja claro, muitas empresas ainda lutam para remover esses acessos devido à dependência de processos manuais:
- 73% das equipes de segurança ainda utilizam métodos manuais para o desligamento (abertura de chamados, atualização manual de diretórios, etc.).
- 84% das organizações realizam revisões de acesso e provisionamento de forma manual, processos que podem levar semanas.
- Apenas 6% das empresas possuem uma automação completa de Governança e Administração de Identidade (IGA).
O problema central é a escala. O volume de usuários, aplicações e permissões supera a capacidade humana de monitoramento, resultando em revisões que só identificam o risco após ele já ter sido explorado.
5 Prioridades para uma Governança de Identidade Eficiente
Para sair do ciclo de “caçar fantasmas” e passar a antecipar riscos, as estratégias modernas de IGA convergem para cinco pilares fundamentais:
- Visibilidade Unificada de Identidades: Consolidar os dados de identidade em uma visão única que abranja sistemas de RH, plataformas de nuvem e aplicações legadas, eliminando silos de informação.
- Detecção Contínua: Em vez de esperar por revisões trimestrais ou anuais, o sistema deve avaliar continuamente quais contas permanecem ativas e sinalizar acessos persistentes assim que o status da identidade muda.
- Remediação Baseada em Políticas: Nem toda conta órfã possui o mesmo risco. Políticas contextuais devem remover acessos de alto risco (como privilégios de administrador) de forma acelerada, enquanto casos de menor impacto seguem fluxos proporcionais.
- Verificação de Ciclo Fechado: Garantir que a remediação realmente ocorreu. O sistema deve validar que o acesso foi removido e reescalar caso a ação não tenha sido efetivada.
- Auditabilidade Nativa: Transformar a prontidão para auditoria em rotina. Isso envolve gerar evidências automáticas de detecção e tempo de resolução, reduzindo o esforço manual durante inspeções.
Conclusão: Um Novo Modelo Operacional
Limpezas periódicas e revisões pontuais não são mais suficientes para o ritmo da TI atual. O gerenciamento de identidades exige um modelo operacional construído para a mudança constante, e não para correções ocasionais. Ao adotar uma visão unificada e processos automatizados, as equipes de TI deixam de reagir a incidentes e passam a ter o controle real sobre quem (ou o que) acessa seus dados.

