Por muito tempo, a gestão de identidades foi vista apenas como uma função de suporte: autenticar usuários, controlar acessos e satisfazer auditorias. Era importante, sim, mas raramente considerada a base de tudo.
Essa era chegou ao fim.
Nas empresas modernas, a identidade tornou-se a infraestrutura sobre a qual todos os sistemas críticos dependem. Cada carga de trabalho (workload), certificado, API, processo automatizado e ação movida por IA depende da identidade para operar de forma segura. Quando a identidade falha, as operações param e a confiança desaparece antes mesmo de as equipes entenderem o porquê.
O grande desafio atual é que, para ter sucesso, uma estratégia de identidade deve ser global, mas a sua governança precisa ser local e adaptada a casos de uso cada vez mais complexos.
⚖️ A Tensão Central: Estratégia vs. Escrutínio
A modernização da segurança de identidades esbarra frequentemente em uma distinção crucial: o controle global versus o regional.
- Estratégia de Identidade (Global): Define a intenção. Estabelece como a confiança opera, como as identidades são criadas, governadas e revogadas em escala. É o “norte” da organização.
- Governança de Identidade (Local): Determina se a estratégia sobrevive à realidade. Ela responde a perguntas práticas: O que deve ser provado? Para quem? Sob qual escrutínio? E em que momento?
A estratégia pode ser global, mas o escrutínio é sempre local.
Enquanto certos elementos devem ser consistentes em toda a organização — como modelos de confiança compartilhada e princípios de automação —, a governança não pode ser uniforme. O que deve ser demonstrado em uma jurisdição pode ser insuficiente ou irrelevante em outra.
🤖 Identidades de Máquina e o Desafio da Governança
Essa tensão torna-se evidente com o crescimento das identidades de máquina. Atualmente, as máquinas superam os humanos nos ambientes corporativos. A automação remove a pausa e a discrição humana; as ações ocorrem continuamente e através de fronteiras.
A governança, nesse cenário, deve funcionar sem interpretação ou mediação humana. Quando as máquinas se tornam os atores dominantes, os controles de identidade precisam resistir ao escrutínio em tempo real, especificamente na jurisdição onde as falhas ocorrem.
📍 O Panorama Regional da Governança
Diferentes regiões aplicam suas próprias expectativas e padrões de responsabilidade. Veja como o escrutínio local molda a governança na prática:
| Região | Foco Principal | Exemplo de Escrutínio |
| ANZ (Austrália/Nova Zelândia) | Resiliência Operacional | Reguladores testam se identidades automatizadas podem ser revogadas em falhas sem prejudicar a continuidade. |
| Canadá | Evidência e Rastreabilidade | Foco em se as ações de um agente de IA podem ser reconstruídas meses depois e atribuídas a um proprietário específico. |
| Europa | Acesso Lícito e DORA | Exigência de demonstrar que o acesso automatizado a dados pessoais permanece auditável, mesmo em eventos de failover transfronteiriços. |
| Ásia (Singapura/Índia) | Precisão e Escala | Expectativa de que o acesso automatizado cresça em volume sem colapsar a prestação de contas (accountability). |
🚀 O Imperativo da Liderança
Em uma empresa moderna, a responsabilidade pela governança de identidades vai além das equipes técnicas e chega à liderança.
Uma governança eficaz ajuda a organização a absorver disrupções e manter a confiança em escala. Líderes que reconhecem essa importância constroem sistemas que operam de forma previsível e defensável, aplicando controles personalizados que respeitam as demandas regionais e as necessidades do negócio.
Projetar sistemas que sejam globalmente coerentes, mas localmente executáveis, não é apenas uma escolha técnica — é a única maneira de garantir que a inovação tecnológica não ultrapasse a capacidade de controle e conformidade da empresa.

